Lean Manufacturing: o que é, como implementar + curso grátis

Sem tempo para ler este artigo? Ouça nosso podcast e conheça mais sobre o que é Lean Manufacturing.

Lean Manufacturing é um sistema de gestão criado para entregar ao cliente o maior valor possível, investindo o mínimo de recursos e privilegiando a eficiência dos processos de produção.

Existem alguns conceitos que são amplamente utilizados em todo o mundo. Entretanto, apesar da sua abrangência, muitas empresas ainda não atentaram para a qualidade e os benefícios gerados de tais aplicações.

Um profissional de sucesso precisa conhecer alguns conceitos, tendo ciência de seus termos e expressões.

Essa é a única alternativa para que o gestor consiga acompanhar o mercado, analisando as principais tendências do momento e mantendo-se sempre atualizado.

Um dos principais conceitos utilizados em todo o mundo é o Lean Manufacturing.

O termo prevalece em inglês por conta do seu nível de influência global. No entanto, leia o post a seguir e descubra o significado dessas palavras, bem como entenda a sua importância nos processos de produção. Não deixe para depois.

O que é Lean Manufacturing?

Lean Manufacturing significa, no português, Manufatura Enxuta.

Trata-se de um sistema de gestão que foi criado pela Toyota. O conceito de Lean Manufacturing surgiu no Japão, após a Segunda Guerra Mundial.

O objetivo da Manufatura Enxuta é:

  • entregar ao cliente o maior valor possível,
  • investindo o mínimo de recursos possíveis,
  • por meio da eficiência dos processos de produção.

O nome “enxuta” diz muito de sua filosofia: nada de exageros, nem de desperdícios. Enxugar os processos a fim de:

  • reduzir custos,
  • cortar tudo o que é supérfluo,
  • agilizar o resultado final.

O princípio do processo é controlar todas as atividades de uma empresa ou de um determinado setor de modo a administrar bem os materiais, comprando-os e aplicando-os na medida certa.

Além disso, esse sistema estimula a melhoria contínua dos processos, seja aplicando metodologias mais eficientes, seja fazendo uso de uma tecnologia mais moderna.

Onde surgiu a definição de Lean Manufacturing?

Você deve estar pensando: se o Lean Manufacturing surgiu no Japão, por que ele se tornou conhecido mundialmente por palavras em inglês?

Bom, o termo “lean” foi utilizado pela primeira vez no livro “A Máquina que Mudou o Mundo” de James Womack, Daniel Jones e Daniel Ross, publicado em 1990.

O livro aborda conceitos e metodologias de trabalho utilizadas pela Toyota.

A aplicação dos conceitos foi chamada de STP (Sistema Toyota de Produção).

Apesar de recente, o livro ainda é muito utilizado em faculdades e escolas, sendo reconhecido como uma excelente fonte de pesquisa e informação para estudantes de cursos de gestão.

Portanto, pode-se afirmar que o conceito de Lean Manufacturing surgiu nos Estados Unidos, apesar de o sistema de gestão ter sido criado e aplicado primeiramente no Japão, conhecido pela sigla STP.

Para entender ainda melhor o que é Lean Manufacturing, não podíamos deixar de citar esse livro, não é mesmo?

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Você conhece os oito desperdícios da Toyota?

Dissemos que a Toyota desenvolveu esse sistema visando a otimizar a produção, eliminando desperdícios.

Os desperdícios, conforme o entendimento da empresa, eram tudo aquilo que envolvia custos, mas não agregava nenhum valor ao produto que estava sendo comercializado.

Em outras palavras, sob a ótica do cliente, o item não oferecia nenhuma vantagem com esses custos.

Na verdade, as despesas identificadas somente encareciam o produto final ou, até mesmo, geravam prejuízos à empresa produtora.

Saiba mais sobre as melhores formas de prestar atenção no seu cliente e melhorar os processos no trabalho, no nosso vídeo abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=7P77PmZQWEQ&t=2s

Sendo assim, a Toyota identificou o que até hoje é conhecido como oito desperdícios do Lean Manufacturing em seu ciclo de produção. São eles:

  1. transporte,
  2. inventário,
  3. movimentação,
  4. espera,
  5. produção excessiva,
  6. processamento excessivo,
  7. defeitos,
  8. conhecimento.

Esse último trata-se de um valor imaterial, mas extremamente relevante.

Assim, a empresa criou e aplicou o STP, visando a reduzir ou a eliminar todos os desperdícios resultantes de diferentes etapas no processo produtivo.

Qual a abrangência do Lean Manufacturing?

O primeiro campo de aplicação da Manufatura Enxuta foi a área de produção, mas logo se percebeu que suas ideias poderiam ser utilizadas em qualquer setor de uma organização. Afinal, enxugar processos é uma medida que pode ser útil em qualquer área empresarial.

Pode-se afirmar, inclusive, que o conceito de Lean Manufacturing pode ser aplicado em alguns setores, como:

  • vendas,
  • finanças,
  • compras,
  • recursos humanos,
  • controle de estoque.

Caso uma empresa deseje ampliar seu espaço e sua influência no mercado e pretenda se tornar ainda mais competitiva, é preciso aplicar as ferramentas do Lean Manufacturing em todas as áreas de atuação.

Leia também: Lean seis sigma para serviços: como funciona?

Quais são os princípios do Lean Manufacturing?

A melhor maneira de implementar o conceito de Lean Manufacturing em sua empresa se dá por meio dos 5 princípios básicos, que listaremos a seguir:

  1. valor: é necessário que o gestor analise e especifique aquilo que o cliente efetivamente percebe como valor. É preciso lembrar que o conceito de valor mudará de cliente para cliente (o que é importante para uma pessoa pode não ser para outra);
  2. fluxo de valor: é necessário identificar quais processos são realmente necessários para gerar esse valor;
  3. fluxo contínuo: é preciso que esses processos sejam ajustados de tal forma que se tornem naturais e espontâneos para as pessoas que trabalham na organização;
  4. produção puxada: a empresa só deve produzir diante de demandas (sem demandas, sem produção);
  5. perfeição: procure sempre melhorar os processos e os resultados, corrigindo falhas e buscando alcançar a perfeição.

Como funciona o mapeamento do fluxo de valor?

Como já destacado, o fluxo de valor é um dos princípios fundamentais da Manufatura Enxuta. O seu mapeamento consiste em um método gerencial voltado para a análise, transformando o diagnóstico em uma etapa fundamental para que os objetivos do sistema lean sejam alcançados.

É preciso identificar o fluxo de materiais e as principais informações de todas as fases de um processo relacionado a determinado produto/serviço. Assim, será possível identificar inúmeros pontos de desperdícios.

Logo, o gestor será capaz de prover alternativas para o futuro e definir um plano de ação com todas as etapas que devem ser cumpridas, procurando alcançar o objetivo final.

Uma dica que podemos dar é: o “Learning to See” (Aprendendo a enxergar) é um bom manual para o mapeamento do fluxo de valor. Esse documento foi publicado pelo Lean Enterprise Institute e escrito originalmente em inglês. Hoje, já tem tradução em 14 línguas, incluindo o português.

Como introduzir a metodologia do Lean Manufacturing em sua empresa?

Para aplicar o conceito de Lean Manufacturing na empresa indicamos que siga quatro etapas:

  1. identificação dos processos da empresa,
  2. desenvolvimento de um líder
  3. mapeamento de processos,
  4. realização de estudos e análises.

Agora que você já sabe o que significa Lean Manufacturing, a origem desse termo, os oito desperdícios da Toyota, a sua abrangência, seus princípios e o funcionamento do mapeamento do fluxo de valor, é preciso aprender como é possível introduzir a metodologia em sua empresa.

Primeiramente, é preciso escolher um líder, que seja capaz de realizar as etapas de análise e planejamento do método e ajudar, ainda, no treinamento e desenvolvimento dos colaboradores.

O próximo passo se dá pela identificação dos processos da empresa e pelo mapeamento estratégico das ações da companhia.

Assim, será possível identificar os pontos de melhoria e, finalmente, otimizar toda a produção (e todas as áreas que a empresa tem).

1. Identificação dos processos da empresa

O primeiro passo para a aplicação do Lean Manufacturing é a identificação dos processos da empresa.

É preciso lembrar que os processos precisam ser executados de uma maneira efetiva e sem um grande número de intercorrências.

Assim, deve-se observar a criação de processos, garantindo que eles possam fluir sem maiores problemas.

A próxima etapa pode ser a utilização de sistemas de produção focados nos clientes, evitando a produção de materiais desnecessários.

Um conhecimento importantíssimo para a produção é saber exatamente quando se deve interrompê-la.

Problemas de qualidade, por exemplo, são indicativos de que o sistema deve ser paralisado, evitando que o produto contenha atributos negativos.

Para melhorar todo o processo produtivo, deve-se padronizar as atividades, buscando melhorias contínuas e criando maneiras de controlar visualmente o processo, garantindo que todos os problemas serão identificados.

Por fim, como já era de se esperar, use e abuse da tecnologia.

Devemos lembrar que, a cada dia, surgem novas tecnologias, capazes de nos ajudar e otimizar as atividades do dia a dia.

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2. Desenvolvimento de um líder

É fato que as empresas têm profissionais com características de líderes em seus quadros de profissionais.

Esse profissional normalmente é comprometido com a metodologia de atuação da companhia e busca, sempre, a sua melhoria.

Contar com um profissional que tenha essas habilidades e seja um gestor lean pode ser crucial para o sucesso da implantação (seja esse profissional interno, seja esse profissional externo).

Pode-se afirmar que o líder será capaz de aplicar a filosofia lean:

  • analisando criteriosamente os processos produtivos da empresa,
  • buscando conhecer as falhas,
  • encontrar os desperdícios presentes na cadeia.

Assim, ele terá informações suficientes para determinar quais as melhores ferramentas do Lean Manufacturinga a serem aplicadas em cada uma das áreas em análise.

Portanto, a aplicação das ferramentas e da metodologia Lean está diretamente ligada à capacidade de mobilização dos colaboradores.

Contar com um líder Black Belt capacitado e com autonomia suficiente será um grande diferencial da sua empresa.

Não sabe o que é Black Belt? Confira no vídeo abaixo a importância de um profissional certificado para a sua empresa.

3. Mapeamento estratégico

O mapeamento estratégico também é uma etapa essencial a ser cumprida para a correta introdução do que é Lean Manufacturing.

Para cumprir esse estágio, é necessário identificar todos os processos, analisando-os em sua totalidade, desde a chegada de um determinado produto/serviço até a sua finalização.

Um profissional capacitado e que conhece os conceitos “lean” será capaz de colocar todo o processo “no papel”, identificando pontos importantes, como:

  • stakeholders,
  • gargalos,
  • pontos de melhoria,
  • pontos a serem excluídos.

O mapeamento estratégico só pode ser realizado caso uma pessoa ou uma equipe percorra todo o fluxo do processo, colhendo informações importantes e uma imagem precisa.

Todos os dados devem ser inseridos no mapa, como:

  • horários,
  • atrasos (independentemente dos fatores),
  • qualquer outro tipo de informação importante.

Após o término do mapeamento estratégico, a próxima etapa será a realização de estudos e análises, tendo em vista a aplicação de princípios para a eliminação de desperdícios.

Venha conhecer no vídeo abaixo quais disperdícios também devem ser evitados.
https://www.youtube.com/watch?v=w2MRiXjWgm4&feature=youtu.be
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Quais as ferramentas do Lean Manufacturing?

Como já destacado, é preciso utilizar a tecnologia como aliada. Existem algumas ferramentas que facilitam a aplicação da metodologia Lean nos processos empresariais.

A sua utilização será de grande valia para o profissional e para a empresa em questão. Veja algumas opções a seguir:

Kanban

A palavra Kanban vem do japonês e tem vários significados. Cartão, painel ou símbolo são algumas das opções.

Kanban é uma ferramenta capaz de organizar as atividades e movimentações de materiais e produtos de uma forma visual.

A sua estrutura nada mais é do que um quadro dividido em etapas classificadas como: “a fazer”, “em execução” e “finalizado”.

Pode-se dizer que o seu principal objetivo é minimizar os estoques de material em processo, fazendo com que a produção seja em pequenos lotes, produzindo somente o necessário.

Índices, como qualidade e produtividade serão aumentados consideravelmente.

Em outras palavras, o Kanban elimina os desperdícios da superprodução, descartando a necessidade de se ter um inventário físico (dependendo apenas de cartões de sinal para indicar quando mais produtos necessitam ser solicitados).

Os cartões são uma excelente maneira de organizar as tarefas, atribuindo cores específicas para cada uma, ordenando as etapas por tamanho e numeração, a título de exemplo.

5S

O programa 5S é originário, mais uma vez, do Japão.

O principal objetivo com a sua criação foi melhorar as condições de trabalho e criar um ambiente de qualidade dentro das organizações.

O 5S é um conjunto de 5 palavras japonesas:

  • Seiri (Utilização),
  • Seiton (Organização),
  • Seiso (Limpeza),
  • Seiketsu (Padronização),
  • Shitsuke (Autodisciplina).

Obviamente, cada uma das palavras detém um papel fundamental no processo de implantação do Lean Manufacturing.

Seiri – Utilização

O senso de utilização é responsável por descartar o inútil e retirar tudo aquilo que não é necessário ao trabalho.

Seiton – Organização

O senso de organização responde pela posição correta de cada componente. Todos os itens a serem utilizados precisam de um local definido, visível e indicado. Cada coisa deve ter a sua posição apropriada, organizando o espaço de forma eficaz.

Seiso – Limpeza

A limpeza de máquinas, equipamentos, mesas, bancadas e armários também se faz necessária. A melhora do nível de limpeza e arrumação do espaço de trabalho será uma excelente alternativa. Lembre-se: o lugar mais limpo não é aquele que mais se limpa, mas o que menos se suja.

Seiketsu – Padronização

O senso da padronização é utilizado para prover o conhecimento, a orientação e a utilização de componentes e regras previamente estabelecidas. A criação de normas claras será fundamental para o cumprimento dessa etapa.

Shitsuke – Autodisciplina

Por fim, mas não menos importante, temos a autodisciplina. Esse é o último processo e procura informar que o futuro está presente e cada ação deve buscar o objetivo a ser alcançado. A melhoria contínua deve ser incentivada.

Quais as características de um profissional “lean”?

É importante aperfeiçoar-se no tema, fazendo cursos e adquirindo formação específica.

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O curso é 100% on-line e foi criado por profissionais especializados na metodologia.

Esse curso permitirá o conhecimento dos processos de fabricação mais modernos e as habilidades iniciais do Lean.

Outra opção interessante é realizar o curso de Lean Manufacturing Specialist, aprendendo como aplicar elementos-chave da manufatura enxuta, como o 5S e o Kanban.

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Autor

Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Estudou Business and Process Management pela University of Arkansas - EUA, direcionando sua especialização em Lean Seis Sigma. Tornou-se Master Black Belt e hoje está à frente da CAE Treinamentos, ministrando cursos e realizando consultorias na área.

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