O que é lean healthcare: TUDO sobre qualidade em saúde 👩‍⚕

Aprenda o que é lean healthcare e quais são os benefícios de realizar um gerenciamento da qualidade na área da saúde em uma empresa.

O objetivo do gerenciamento da qualidade é obter o máximo de qualidade em todos os processos e produtos de uma organização.

A forma como a empresa atua deve ser condizente com a sua missão e com a as necessidades de seus clientes. A gestão da qualidade em saúde ou lean healthcare é muito importante e deve ser realizada de forma contínua e crescente.

A organização pode se superar em atendimento e profissionalismo, se tornando uma referência. Com as ferramentas lean healthcare é possível:

  • Medir o grau de satisfação dos clientes/pacientes;
  • Mensurar a eficácia dos processos;
  • Definir quais mudanças são necessárias;
  • Analisar os resultados das mudanças aplicadas;
  • Determinar estratégias compatíveis com os objetivos da organização.

Se interessou pelo tema? Continue lendo e entenda o que é lean healthcare e como ele pode ajudar no crescimento da empresa.

O que é lean health care?

Conceitos usados em indústrias podem ser utilizados também na área da saúde? Sim, o lean healthcare é muito flexível e pode ser utilizado em hospitais, clínicas e postos de saúde. 

Através da implantação da filosofia Lean e com a utilização das ferramentas utilizadas por essa abordagem, é possível administrar melhor os locais de saúde.

Para o método funcionar amplamente, é preciso o engajamento de todos os funcionários e de todos os setores. Dessa forma,  torna-se possível:

  • Uma transformação cultural que mude a forma de uma organização trabalhar;
  • A criação de maior valor para o cliente e respeito pelas necessidades dele;
  • A realização da sincronia entre as atividades e o propósito da empresa;
  • A criação de métodos de organização de tarefas de forma mais visual;
  • A redução de desperdícios, burocracias, retrabalhos e etapas desnecessárias;
  • A possibilidade de uma maior agilidade;
  • Aumento do tempo com o paciente, segurança e satisfação do mesmo;
  • A possibilidade de melhoria contínua em todos os processos.

Shigeo Shingo contribuiu para o desenvolvimento do Sistema de Produção Toyota. Suas contribuições na qualidade de processos não só geraram resultados para a Toyota, mas foram capazes de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Shingo desenvolveu conceitos como o Poka Yoke e o Sistema de Controle de Qualidade Zero Defeito.

Para ele, “existem apenas quatro motivos para se modificar um processo: facilitar, melhorar, agilizar e baratear. E esses quatros objetivos estão em ordem de prioridade”.

Saiba mais sobre os gurus dos métodos e ferramentas da Qualidade Total.

Importância da gestão lean healthcare

A área da saúde é uma das áreas que mais necessita de acompanhamento visando a qualidade. Para entender a urgência, basta observar dados sobre o assunto:

99,9% de acertos parece um bom padrão para qualquer negócio. Porém, quando se trata de hospitais, clínicas e pronto-socorros 0,1% podem significar:

  • 20 mil prescrições de medicamentos erradas por ano;
  • 500 cirurgias incorretas por semana;
  • 15 mil quedas acidentais de bebês recém nascidos em maternidades por ano.

(Dados presentes no livro “Medical Error” de 2002, em português “Erro Médico”).

A evolução da gestão da qualidade

Anteriormente, a gestão da qualidade era realizada com foco no produto. Entretanto, com o avanço das teorias, passa-se a ter o foco no processo todo e não só em seu resultado final. Isso começou a ocorrer após o período da Segunda Guerra Mundial.

A Toyota era uma empresa que estava muito abalada devido a guerra. Foi nesse contexto que seus gestores criaram o Sistema Toyota de Produção (TPS).

Dentro da abordagem TPS foi criada uma filosofia de gestão: o Lean Manufacturing.

Esse termo significa “produção enxuta” e consiste em eliminar os desperdícios. Ou seja, retirar tudo que está impedindo a entrega de um resultado 100% satisfatório para o cliente.

Assim como a eliminação de custos desnecessários, promovendo economia.

É importante ressaltar que a maior parte das atividades que executamos podem ser consideradas desperdícios.

Por isso, precisamos entender exatamente as atividades que executamos em nosso dia a dia e enxergar corretamente nossos processos. Entenda melhor no nosso vídeo abaixo:


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Quando aplicado na área da saúde, a abordagem ganha o nome de: Lean Health Care.

Hospitais que implantaram o lean healthcare

Nos Estados Unidos, o ramo está começando a se atentar ao lean healthcare.

O primeiro hospital a realizar estratégias de qualidade foi o ThedaCare. Ele conseguiu reduzir o tempo de espera de internações de pacientes de cirurgias ortopédicas de 14 semanas para 31 horas.

Com o lean healthcare, o ThedaCare também conseguiu eliminar 1960 horas médicas anuais que eram consideradas como desperdícios. Além de reduzir quatro horas de espera dos pacientes no ambulatório de transplante.

O índice de satisfação dos clientes aumentou cerca de 20% em três anos, comprovando que o hospital estava em contínua melhoria.

Também nos EUA, o Hospital Avera McKennan aplicou estratégias de Lean Health Care e reduziu em 29% o tempo de espera dos pacientes. Além disso, conseguiu economizar mais de 1 milhão de dólares.

Há um hospital brasileiro que também conseguiu implementar o lean healthcare, o São Camilo-Pompéia em São Paulo (SP). Com a aplicação da metodologia, aumentou em 58% o número de pacientes que foram atendidos em até 10 minutos.

Esses são apenas alguns exemplos dos resultados do lean healthcare. As mudanças de pensamento administrativo na área da saúde já estão sendo visíveis.

É possível que com o tempo a aproximação da saúde com a filosofia Lean irá aumentar ainda mais devido a esses bons resultados.

7 Desperdícios clássicos do Lean: aplicados à saúde

Desperdício (em japonês: 無駄) é toda ação que gasta tempo, energia e material e não gera aumento de valor no produto e nem satisfação no cliente.

1) Superprodução

Realizar em excesso alguma atividade que não há necessidade. Como por exemplo, realizar ou repetir exames desnecessários.

2) Espera

Tempo de espera do paciente para triagens, consultas e procedimentos cirúrgicos. Assim como esperar um serviço ou medicamento que venha de outro setor. Também, quando o médico espera a liberação de uma sala de cirurgia.

3) Movimentação

É referente à movimentação de funcionários e pacientes além do necessário. As distâncias devem ser encurtadas, pois o movimento excessivo pode causar acidentes e cansaço aos pacientes e funcionários.

Isso também inclui que os funcionários tenham que exercer movimentos como andar, levantar, alcançar e agachar.

Assim como andar para procurar materiais que não estão no local correto. As tarefas têm que ser redesenhadas para otimizar as movimentações, aumentando os níveis de segurança.

4) Estoque

A manutenção de um estoque na área da saúde é algo que requer muita precaução. Pois, as quantidades devem estar muito bem organizadas.

Do contrário, pode-se cometer o erro de utilizar medicamentos vencidos nos pacientes ou correr o risco de um estoque inteiro vencer e ter que jogá-lo no lixo.

Segundo reportagem da BBC, o SUS (Sistema Único de Saúde) desperdiçou, de 2014 a 2015, cerca de 16 milhões em estoques de medicamentos que foram jogados fora devido ao vencimento.

5) Transporte de material

Este desperdício está relacionado ao transporte de estoque, equipamentos, medicamentos e demais produtos além do necessário. O movimento excessivo pode gerar desgaste e quebra dos materiais.

6)  Defeitos

Trabalhos que contêm erros, retrabalhos ou falta de algo que pode gerar danos ao paciente. Na área da saúde, esses erros podem ser muito grave. Como erros de medicação, cirurgias realizadas no membro errado, falta do material na hora em que o médico requisita ou falta de informações na ficha do paciente.

7) Superprocessamento

Este desperdício está pautado em uma organização não efetiva. Sendo assim, acaba-se preenchendo o mesmo documento duas vezes ou perguntando a mesma informação diversas vezes.

Saiba mais sobre os desperdícios do Lean e como identificá-los.

Se sou capaz de identificar um desperdício, preciso eliminá-lo, correto? Como já foi afirmado que a maior parte das atividades do dia a dia são desperdícios, vai aqui algumas dicas de como eliminá-los.

Causas das variabilidades e desperdícios na saúde

Muitos dos problemas citados acima têm raízes em:

  • Falta de padronização dos processos;
  • Desorganização dos materiais e da área de trabalho;
  • Atrasos;
  • A voz do cliente não é ouvida, considerada e respeitada.
  • Variabilidade e erros dentro das atividades;
  • Falta de documentação, checklist e layouts não funcionais;
  • Falta de comunicação.

Segundo reportagem do G1, o atendimento precário mata mais do que a falta de acesso a médicos. Essa pesquisa aponta que no Brasil são 153 mil mortes, devido o mau atendimento na saúde.

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Como solucionar problemas utilizando as ferramentas lean healthcare

Os problemas apresentados acima podem ser solucionados por ferramentas lean healthcare.

A equipe que aplicará as estratégias administrativas para otimizar o ambiente tem que entender a variabilidade do serviço de saúde. Assim, deve utilizar sua interpretação e conhecimento para aplicar as ferramentas corretas para a especificidade de cada processo.

As ferramentas lean healthcare envolvem o “VSM”, que é um mapeamento do fluxo de valor para melhorar os processos atuais e futuros. Ele categoriza o fluxo de pacientes, medicamentos ou informações de uma forma visual.

Também é utilizado conceitos como o 5S que oferece estratégias para organizar o local de trabalho.
Saiba mais sobre 5S em “Como implantar o 5s em 5 passos: mais eficiência em processos”.

A aplicação do lean healthcare deve ser visual para que todos entendam com maior facilidade as tarefas que devem ser realizadas.

A ferramenta Kanban é uma aliada para organizar as tarefas de forma flexível e visual. Nesse método, é realizado um quadro em que “cartões” são dispostos de acordo com a necessidade da realização das tarefas.

Saiba mais sobre o método Kanban em O que é Just in Time e Kanban: entenda os conceitos e as diferenças.

O objetivo final é:

  • criar um ambiente seguro, onde a comunicação interna seja visual e eficaz. Os colaboradores poderão dialogar sobre suas dificuldades e erros visando o aprendizado da equipe como um todo.

Aprenda mais sobre a filosofia Lean

Essas e outras ferramentas do Lean podem ser aprendidas com o curso da CAE Treinamentos de Lean Manufacturing, no qual são ensinados a metodologia de forma aprofundada.

Além disso, no curso também é ensinado como utilizar as ferramentas e suas formas de aplicação.

Esperamos que as informações sobre lean healthcare tenham lhe auxiliado. Quer continuar acompanhando conteúdos interessantes como esse?

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Autor

Redatora do blog da empresa CAE Treinamentos. Estudante de Jornalismo na Universidade Estadual Paulista (UNESP). Já foi estagiaria de Comunicação do Projeto TAMAR, pesquisadora pela FAPESP, coordenadora de grupo de estudos e repórter textual do Projeto Impacto Ambiental e da Jornal Júnior.

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