O que é desperdício e o que agrega valor? Aprenda a classificar os processos com o case da VW!

Mesmo quando se tem processos bem estruturados, é difícil identificar onde possam existir desperdícios e quais atividades realmente agregam valor. 

Isso porque, os profissionais que atuam há muitos anos dentro de uma mesma organização acabam simplesmente se acostumando a realizar as atividades, sem questionar se elas realmente precisam ser executadas, sem aplicação de melhorias, sem mudanças e etc. 

Vamos pensar em uma empresa de RH que se responsabiliza pela execução de processos seletivos das mais diversas multinacionais do Brasil. 

Como são recebidos e enviados muitos e-mails por dia, é muito comum que os profissionais de recursos humanos enviem e-mails para os remetentes errados, façam confusões entre os candidatos e vagas. Exatamente por não ter nenhuma etiqueta ou classificação para que o mesmo possa identificar quem é aquele candidato e de qual processo seletivo ele faz parte. 

Afinal de contas, parece perda de tempo você dedicar toda semana, 2h da sua manhã de segunda-feira, organizando através de pastas ou etiquetas todos os processos seletivos que estarão ocorrendo nos próximos dias e quais os candidatos/contatos envolvidos, não é mesmo? 

Porém, se você pensar bem, enviar e receber as informações corretas das vagas e candidatos em processos seletivos é de extrema importância, faz total diferença no resultado final da empresa. Portanto, a criação dessa nova ETAPA se faz necessária, uma vez que as atividades realizadas sem ela, possuem alto índice de desperdícios e falhas.

Utilizamos o exemplo de uma organização prestadora de serviços, porém, é possível visualizar isso no cenário de qualquer empresa.

Tarefas que geram desperdícios x Tarefas que agregam valor

Em uma classificação bem rápida, tarefas que geram desperdícios são atividades que:

  • Precisam de retrabalhos constantes;
  • Possuem grandes erros;
  • A empresa perde tempo e dinheiro realizando-a.

Geralmente, são atividades que existem desde que a empresa iniciou seu trabalho no mercado. Por isso, por sempre ter feito parte do escopo da empresa, não há uma supervisão ou mensuração de resultados e os gestores consideram-a extremamente importante.

Em suma, podemos pensar da seguinte forma: se o seu cliente não está disposto a pagar por essa atividade, ela será considerada uma atividade que não agrega valor. Questione se a tarefa executada realmente modifica o resultado final ou não.

É comum então, ao identificar uma atividade que não agrega valor, querer eliminá-la. Entretanto, será que podemos eliminar todos os desperdícios?

Confira o vídeo abaixo para conhecer essa resposta:

Já as tarefas que agregam valor, são aquelas que as empresas não podem abrir mão de jeito nenhum, já que fazem parte da satisfação do cliente, é o porquê os clientes compram o seu produto e não o da concorrência.

Se pensarmos na produção da Coca Cola, por exemplo. Qual é o motivo pelo qual as pessoas pagam R$7,00 em 2L de Coca-Cola se é possível pagar R$3,00 ou R$4,00 em versões similares? É pela fórmula única do seu sabor!

Seria impossível, portanto, deixar de lado o investimento nos ingredientes necessários, na capacitação para execução da receita da maneira correta e tradicional, da supervisão desta produção para que nenhum cliente tenha acesso a um refrigerante com um sabor diferente do prometido e esperado.

Ou seja, essas são atividades cruciais, que agregam muito valor e, provavelmente, nunca poderão ser eliminadas de todo o processo da empresa!

Observação: percebe como o cliente final está disposto a pagar por essa atividade? É assim que identificamos aquilo que agrega valor.

Case da Volkswagem!

Quem assistiu à série da Netflix “Rota do Dinheiro Sujo”, nem precisará de muitas explicações. Agora, quem não assistiu e sequer tem ideia do que estamos falando, vamos aos fatos:

A montadora introduziu há um poucos anos um modelo de carro a diesel muito econômico e limpo no mercado. Onde as emissões de CO² eram bem reduzidas se comparada a qualquer outro veículo existente. O ponto-chave do veículo era exatamente o fato do carro não fazer tão mal ao meio ambiente quanto os demais e, por isso, muitas famílias optaram por ele, independente de preço e características gerais.

Após algum tempo foi descoberto que a empresa utilizou um software que fazia com que as taxas de emissão de CO2 parecessem mais baixas, um software que reduzia em 40% as emissões detectadas. 

O que isso significa? Que utilizando este software além de ter menores custos na produção de um veículo com tamanho potencial, a empresa continuaria chamando a atenção dos clientes por conta dos benefícios do veículo. Porém, no final das contas, o barato saiu caro!

Por não investir em algo que AGREGAVA VALOR de verdade ao seu cliente final e ao seu produto, a empresa acabou manchando o seu nome, carregando um processo gigantesco nas costas e perdendo a oportunidade de ganhar muito dinheiro com este produto.

Saiba classificar cada uma das atividades da sua empresa

É exatamente por esse motivo é que levantamos a seguinte pauta: O que é desperdício e o que agrega valor? Isso porque, especialmente empresas que querem reduzir custos, podem dar um tiro no próprio pé, caso optem por otimizar ou reduzir custos de uma atividade que agrega valor.

Por isso, é necessário que:

  • Haja um mapeamento das etapas de produção;
  • Haja entendimento sobre o motivo pelo qual os clientes compram;
  • Entendam quais são as atividades que agregam valor e quais são desperdícios;
  • Entendam onde existam possíveis gaps durante os processos;
  • Entendam como é possível otimizar estes gaps;
  • Saibam reduzir custos e otimizar tarefas que são classificadas como desperdícios.

Caso queira entender mais sobre este assunto, o episódio #031 do nosso podcast, o Business Break, pode te ajudar a entender sobre o porquê não otimizar atividades que agregam valor. Escute agora mesmo:

Autor

Formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista - UNESP e redatora para o Blog da CAE.

Escreva um Comentário