QFD: o que é, matriz preenchida e exemplo prático [em VÍDEO]

O QFD é a sigla para Quality Function Deployment que significa Desdobramento da Função Qualidade em português. Essa ferramenta foi criada por Yoji Akao na década de 1960 quando trabalhava na Mitsubishi. O principal objetivo do QFD é usar as necessidades reais do cliente como base para os projetos de melhoria e desenvolvimento de produtos e serviços.

De forma geral, a execução dos processos de melhoria contínua acontecem de dentro para fora. As empresas querem evoluir seu modo de produção, eliminar desperdícios e satisfazer os clientes, além, é claro, de aumentar os lucros.

A necessidade do cliente nunca está ausente, pois se os produtos produzidos ou se os serviços não tiverem qualidade, adeus consumidores, não é mesmo?

É neste ponto que a matriz QFD entra para estruturar melhorias estratégicas na prestação de serviços e na criação de produtos a partir do feedback dos clientes.

Os dados para análise são organizados de maneira específica, facilitando a compreensão e o estudo dos resultados.

Quer entender mais sobre QFD: o que é, como funciona a matriz e ver um exemplo prático? Continue lendo e entenda tudo sobre a ferramenta! 

O que é QFD?

O QFD — Quality Function Deployment que significa Desdobramento da Função Qualidade — é um método usado para orientar um projeto de melhoria em uma empresa.

Suponhamos que você tenha um negócio e precise melhorar seu faturamento, mas está perdido em relação aos fatores que estão influenciando esse resultado da empresa. 

O QFD vai organizar a fase de análise e guiar o processo de implantação de melhorias ou pontos de melhoria para ajustar um processo.

O método, que começou no Japão, chegou às fábricas norte-americanas na década de 80, trazendo resultados que impulsionaram a Ford e a Xerox

Assim, o método ficou conhecido e hoje ajuda diversas empresas a usarem as demandas dos clientes para orientar as melhorias que contribuem para o desenvolvimento do negócio. 

Desdobramento da função qualidade é o método ideal para sua empresa?

Para entender a necessidade do cliente da sua empresa é necessário conhecer o seu público-alvo. Essa definição já aponta tendências de comportamento importantes.

A equipe de marketing pode trabalhar junto com a equipe de produção, fornecendo dados relevantes sobre o perfil dos consumidores da empresa.

Mas como melhorias acontecem em um nível mais pontual e objetivo, ter apenas os dados sobre tendências não é o suficiente para implementar o QFD.

A primeira etapa inclui uma autoanálise do modo de trabalhar atual que inclui:

  • como a empresa define conceitos para produtos/serviços?
  • quais critérios influenciam na seleção das ideias trazidas pela equipe?
  • os produtos se encaixam nas diversas necessidades do público-alvo?
  • o processo de produção atual resulta no objeto desejado? Existem falhas?

Na etapa seguinte, entra na análise informações relacionadas às necessidades dos clientes trazidas pelo Marketing que aplica diversas pesquisas. Esses dados podem mostrar:

  • como o cliente percebe a qualidade do produto/serviço;
  • quais características ele levanta para justificar sua opinião;
  • fatores que interferem em uma boa ou má experiência, etc.

No vídeo abaixo, nosso expert Carlos Sander explica como as dores do cliente, ou seja, suas principais necessidades podem ser usadas para orientar a escolha de projetos. Dá o play pra ver!

Para organizar o trabalho, o QFD tem um modelo de matriz que pode ser executado facilmente no Excel. Entenda como ela funciona e veja um exemplo de desdobramento da função qualidade (QFD) nos próximos tópicos.

Como funciona a matriz QFD?

A matriz de desdobramento da função qualidade (QFD) é estruturada em formato de tabela, ou seja, o bom e velho Excel que você domina será a base do seu trabalho.

O objetivo principal com a matriz é criar uma representação visual dos “o quês” com os “como”.

As informações do “o que” são retiradas dos relatórios de feedbacks do cliente sobre o que ele considera “características de qualidade”.

Já o “como” são fatores relacionados a essas características que a empresa pode controlar. Esses fatores podem ser entendidos como critérios que influenciarão na melhoria daquilo que o cliente valoriza.

Aliado ao “o que” e “como” existe a classificação por peso de importância que mostra o impacto que um “como” tem em um “o que”. Essa escala pode ser de 1 a 3 ou da forma como a equipe determinar.

Essa análise é um pouco mais complexa e ter um profissional Green Belt ou Black Belt na equipe vai ajudar bastante na criação de um modelo QFD assertivo. Veja abaixo um exemplo prático:

Exemplo de planilha QFD no Excel

O QFD é uma das ferramentas que pode ajudar um Green ou Black Belt na hora de determinar qual projeto é impactante para a empresa.

Essa ferramenta leva em consideração as metas da organização e os possíveis indicadores que podem impactar as metas pré-estabelecidas, sempre visando atender os requisitos críticos dos clientes (CCRs). 

Na figura abaixo, é possível visualizar as seguintes informações:

  • Indicadores: % Vendas, % Retrabalho;
  • Metas: Lucro de R$ 200.000,00, 0% de Hora extra, 100% de entrega no prazo;
  • Peso e Impacto que cada indicador possui na meta final.
matriz-qfd-exemplo-excel
Exemplo de matriz QFD.

Assista a construção e análise dessa matriz QFD preenchida no vídeo abaixo:

A ferramenta de desdobramento da função qualidade (QFD) ajuda os profissionais a focar nos aspectos mais relevantes do projeto que está sendo desenvolvido.

Dessa maneira, pode gerar resultados promissores para a empresa, como redução de até 40% dos custos.  

O curso de Green Belt, por exemplo, pode ajudar a sua empresa a desenvolver projetos e alavancar os resultados, pois com mais profissionais capacitados em manusear essa ferramenta, é possível mensurar os resultados de forma mais eficiente.

Como implementar melhorias em pequenas e médias empresas?

Em empresas de pequeno e médio porte é comum ter profissionais que exercem diversas funções, o que prejudica o tempo de dedicação dos especialistas ao programa Seis Sigma. 

Com o escasso tempo destinado à aplicação prática de projetos de melhoria, muitos profissionais apresentam dificuldade em otimizar o tempo.

Por isso, acabam canalizando sua energia para projetos não prioritários e que não geram resultados impactantes dentro da companhia.

Para garantir a aplicação prática de um projeto Seis Sigma como o QFD dentro de uma pequena ou média empresa, os Green e Black Belts da organização precisam assegurar alguns pontos fundamentais para o sucesso do projeto. São eles:

  • O apoio dos administradores e dirigentes (elevado patrocínio);
  • Ter a certeza de que todos os projetos de Seis Sigma serão traduzidos para a linguagem financeira, gerando maior impacto dentro da organização;
  • Gerar e concretizar os primeiros resultados a curto prazo;
  • Conseguir focar nos projetos importantes e relevantes.

Aprenda tudo sobre ferramentas da qualidade

Entender as necessidades do cliente pode elevar o nível de resultados da sua empresa. 

Se além do QFD, você quiser conhecer todas as ferramentas do Lean Six Sigma, leia o post: ‘8 principais ferramentas do Lean Six Sigma: como usá-las na implantação do modelo.’

Prefere ouvir podcasts? Escute o episódio #017 do Business Break, o podcast da CAE, que também explica as “8 ferramentas do Lean Six Sigma”: 

Agora se já estiver pronto para fazer as formações que englobam a ferramenta do QFD e muitas outras, fica à vontade para começar sua certificação na CAE com os:

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Autor

Autor de 2 livros publicados: "Lean Six Sigma: O guia básico da metodologia" e "101 Dúvidas sobre Lean Six Sigma". É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Estudou Business and Process Management pela University of Arkansas - EUA, direcionando sua especialização em Lean Seis Sigma. Professor de empresas como BRF, Plasútil, Usiminas, Petrocoque, Avon, Mondelli, UNESP, JohnDeere e de mais de 35.000 alunos na comunidade online. Com mais de 26 mil certificados emitidos, é CEO da CAE Treinamentos, uma plataforma focada em melhoria contínua e gestão de processos.